Cesar Cavalcante e Lucas Bettoni

Sem previsão de futuro

Os jovens de hoje terão o amanhã afetado com as mudanças da reforma da Previdência e muitos deles não estão ainda se adaptando à nova realidade

Monique de Andrade Dantas

Acessibilidade na educação: as escolas inclusivas no Rio de Janeiro

Como as escolas inclusivas e comuns precisam se adaptar às necessidades educacionais dos alunos especiais na cidade do Rio de Janeiro

Morgana Buscacio sai de casa às 6h30 com o seu carro, no bairro de Bangu, zona Oeste do Rio de Janeiro, para se deslocar ao seu local de trabalho, uma creche inclusiva da prefeitura, localizada no bairro de Campo Grande. Ela repete o trajeto casa-trabalho-casa de segunda a sexta, e retorna para a sua residência às 18 horas. A pedagoga de 37 anos trabalha como supervisora da creche inclusiva pertencente à Secretaria Municipal de Pessoas com Deficiência (SMPD) há dois anos e conhece todos os alunos, educadores e funcionários da instituição pública pelo nome. O local de trabalho de Morgana prioriza a educação inclusiva, no qual crianças com ou sem deficiência convivem sem segregação de classe. Verifica também o trabalho dos profissionais e analisa junto com as professoras o desempenho de alunos neurotípicos – termo usado para designar crianças sem deficiência – e os alunos com necessidades especiais, nas atividades extracurriculares e de inclusão educacional. “Dentro desse espaço funciona a creche inclusiva, mas a prioridade são os deficientes”, conta Morgana, em sua casa, no último dia 4 de maio. Alta e de cabelos curtos e claros, a supervisora formada em Administração e Pedagogia ama o que faz: trabalhar com educação infantil.

Alexandre Leitão

Um comício no Jardim Botânico

Dois candidatos do Partido dos Trabalhadores fazem campanha no condomínio de um dos bairros mais ricos do Rio de Janeiro

O ônibus 538, que realiza o percurso Leme-Rocinha, encontra-se lotado naquele início de noite de quarta-feira, 3 de setembro. Apinhados no corredor, dezenas de homens e mulheres, em sua maioria negros e pardos, espremiam-se entre os bancos, esperando a hora de, por fim, relaxarem em suas casas. A cena se desenrola na Rua Jardim Botânico, principal via do bairro de mesmo nome, localizado na zona Sul do Rio de Janeiro, área nobre da cidade. Dali a 20 minutos, a menos de um quarteirão e meio de distância do ponto em que o 538 se encontra parado, em um dos muitos condomínios de classe média alta da região, teria início um comício de dois candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT). Logo no hall de entrada do edifício, marcado por uma imponente fachada branca, o interessado é prontamente informado pelo porteiro de qual caminho deve tomar para chegar ao evento: “Ande até o final do corredor. Lá você vira à direita para pegar o elevador. Aí é só apertar o botão ‘P’”. O corredor a ser percorrido é formado por uma longa parede de mármore branco, que desemboca em um elevador dotado de uma pesada porta de madeira. O botão “P” leva ao playground.